sexta-feira, 23 de setembro de 2016

DEUS NOVA

De novo o sentimento, de novo a palavra
Das rimas meninas que trago no peito
Dos sinos destinos que jazem no leito
De novo rebento, de novo a lavra

De novo separado, de novo terreno
Das ervas daninhas que rasgam o silêncio infecundo
Dos versos mesquinhos que aprisionam o mundo
De novo indivíduo, não mais pleno

Não mais insubstância, não mais o vazio
Outra vez a fome, outra vez o frio
De volta ao invólucro substantivo

Do frio na espinha; do olhar embaçado
Às pontas dos dedos que tocam o teclado
E desnudam na tela a chaga de estar vivo.

2 comentários:

  1. Fenecer, ei-lo verbo inelutável
    Morosa injunção que a vida imputa
    Olhai no escaparate, já sem luta
    Jaz o órgão devotado a ser afável

    Melúria lastimosa o teu conjuro
    Roguei que minha sina fosse tua
    Mui pouco há de valer queixar-te à lua
    Maldito és teu fadário, ó ser impuro

    Quiseras teu olhar junto à lareira
    Perene, ameno, morno, complacente
    Olvidas que adentro a flama beira

    E o lume que lhe apraz não é silente
    Ruidoso e hirto silvo a noite inteira
    Haurido da palavra à qual tu mentes

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  2. Sou uma super admiradora. Conheço-o de bem de perto. Amo-o pelo que és e pelo que te tornastes. Anseio por tuas palavras que demoram. Amigo do meu coração, apareça. Gabriela Florêncio 81 998289380

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