sexta-feira, 22 de março de 2013

Em...

Sangrando tinta sobre uma folha em branco
Procuro trazer das entranhas do tempo
Aquilo que a vida em algum momento
Por capricho nos fez esquecer...
 
Trazidas por ventos monocromáticos de outono
As notas da musica que não soube compor
Os lamentos que tingem de cinza os sonhos
Olhares inteligíveis de sinestésica dor
 
Em meio a esse teatro enfadonho
Essa névoa de feição risonha e sem cor
Encarcerado no olhar d’um menino tristonho
Onde apenas a escuridão conhece o amor
 
Correndo nos sonhos de uma mítica criança
A faca encravada no sol da esperança
A única palavra que nos leva a viver...
 
Em meio a escombros imaginários transito
Em meio a lugares que nem mesmo são.
Leve como a brisa da felicidade
A mesma leveza que a solidão carrega
O eterno pesar de saber que está só...
 
Casca de matéria morta, habito.
Da própria vida; sou o pão.
Leve como a brisa da verdade
A mesma leveza de quando enxerga
Que acima de tudo, não passa de pó!
                                                       (                      )
 

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