quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Reflexos Chocados


Derradeiras? Mesmo com estes frutos tão interessantes?
Mundo em ladeiras? Tinha de ser assim tão... Alucinantes?!
Certamente que sim senhor, não queira que o seu mundo seja como o meu.
Sinto muito, me avisaste tarde demais... Já não distingo meu mundo do seu...

Digamos, por exemplo, que todo este transtorno foi devido às alegorias.
Não às cavernas do pseudoconsciente, mas àquilo em que consistem...
Consistências... Texturas... Cores... Somente exclamo!

O que fizeste no instante em que cores e formas já se fundiam?
Simplesmente observei todo este diorama digno de uma ópera.
Perdoa-me novamente, minhas lágrimas caem ao ver os ratos na mesma direção...
Simplórios vetores que ousam pensar obter de fato alguma espécie suja de sabedoria!

Enquanto às rimas?! Sumiram?! Ainda posso sentir o fardo da poesia...
Ah... O fardo é algo inevitável, acredito. Talvez faça parte deste sistema...
Apenas para a corja de pensadores que se livraram das vendas!
Lembro-me do momento em que as vendas se foram e o ar ficou mais quente.
Haverão tardes ainda mais longas?! Eternas tardes de maio...
Desejo muito que sim, o futuro já fugiu da minha vista e o passado me abomina.

Reflexos chocados... O futuro se revela ao presente! Sonhei com o universo - Ele sorria...
                                                                                   (Rafael de Oliveira e Vitor Dias)

Limbo Cibernético


O homem, incapaz de autoconfrontar-se
Temendo encontrar-se consigo mesmo
Inventa máscaras vãs para socializar-se
Caminha errante e sem verdade - a esmo.

Cativo em uma realidade paralela
Aliena-se, inerte, no mundo virtual
Abdica ao horizonte em prol da tela
Abstém-se de si e do mundo natural...

Arquiteta para si uma nova personalidade
Faz-se sábio, humilde, politizado e fraterno.
Amante da natureza, do outro, da diversidade.
Faz-se conhecedor, compreensível e terno...

Na desmaterialização da sua significância
Acaba - por inocência ou ignorância -
Soterrado pela vaidade - Eterno porvir -

Condenado a vagar no limbo cibernético
Respondendo ao mais vil anseio frenético
De não sentir-se sozinho para se sobressair...
                                                          (Rafael de Oliveira)