quarta-feira, 18 de julho de 2012

Retrato Poético de uma Mente em Desatino

                                                         ou  Retrato em Desatino de uma Mente Poética
 
De todas as mentiras deste mundo
A maior e mais contraditória - a poesia
Alimenta-se do meu limbo mais profundo
Para vomitar uma espécie suja de heresia
 
Do abismo entre o meu ser e a realidade
Da minha cabeça à ponta dos meus dedos
As palavras, irônicas, revelam-me segredos
Mentem-se fictícias para dizer-me a verdade

Versos oligofrênicos - subversivos versos vivos
Ritmados ao pulsar frenético em meus ouvidos
Como o estilhaçar de espelhos em minha mente

Versos antagônicos - paradoxalmente rimados
Deitados no papel, filas de corpos amontoados
Olhando para mim e sorrindo obsessivamente
                                                                         (Rafael de Oliveira)

2 comentários:

  1. A mais contraditória das mentiras deste mundo. E do outro, certamente. Fez lembrar uma citação que vi: “A literatura parte de um real que pretende dizer, falha sempre ao dizê-lo, mas ao falhar diz outra coisa, desvenda um mundo mais real do que aquele que pretendia dizer”. (PERRONE-MOISÉS)

    A imagem poética do último terceto é muito forte! Por causa dela partilhei corpos na vala profunda deste soneto!

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