quinta-feira, 26 de julho de 2012

Psicose

Meus olhos desaguaram no mar da melancolia
Quando num lapso auditivo, em meio ao trauma
Vi mover seus lábios; ouvir o som que produzia:
“Faça-me sangrar até a morte, toma minha alma”
 
Meus olhos vazios fitaram projeções imaginárias:
“Dois corpos amantes dançavam em minha frente
A lâmina prateada perfurando-a incessantemente”
Memórias distorcidas – reminiscências sanguinárias
 
Rio de aguas mansas cujo leito em mim desaguara
Doce fonte imaculada da mais límpida agua clara
- Aquela cuja carne macia saciara a minha fome -

Fora vítima do mais vil e desconcertante desatino
Esquartejada, fatiada em postas por um assassino
Perdido em um anagrama qualquer com meu nome.
                                                                        (Rafael de Oliveira)


Um comentário:

  1. Impressiona a sincronia dos versos, horizontalmente calculados como se cessassem todos em um mesmo poente... mas de uma verticalidade sem igual que cava no húmus para semear outras ideias.

    ResponderExcluir