quinta-feira, 26 de julho de 2012

Psicose

Meus olhos desaguaram no mar da melancolia
Quando num lapso auditivo, em meio ao trauma
Vi mover seus lábios; ouvir o som que produzia:
“Faça-me sangrar até a morte, toma minha alma”
 
Meus olhos vazios fitaram projeções imaginárias:
“Dois corpos amantes dançavam em minha frente
A lâmina prateada perfurando-a incessantemente”
Memórias distorcidas – reminiscências sanguinárias
 
Rio de aguas mansas cujo leito em mim desaguara
Doce fonte imaculada da mais límpida agua clara
- Aquela cuja carne macia saciara a minha fome -

Fora vítima do mais vil e desconcertante desatino
Esquartejada, fatiada em postas por um assassino
Perdido em um anagrama qualquer com meu nome.
                                                                        (Rafael de Oliveira)


quarta-feira, 18 de julho de 2012

Retrato Poético de uma Mente em Desatino

                                                         ou  Retrato em Desatino de uma Mente Poética
 
De todas as mentiras deste mundo
A maior e mais contraditória - a poesia
Alimenta-se do meu limbo mais profundo
Para vomitar uma espécie suja de heresia
 
Do abismo entre o meu ser e a realidade
Da minha cabeça à ponta dos meus dedos
As palavras, irônicas, revelam-me segredos
Mentem-se fictícias para dizer-me a verdade

Versos oligofrênicos - subversivos versos vivos
Ritmados ao pulsar frenético em meus ouvidos
Como o estilhaçar de espelhos em minha mente

Versos antagônicos - paradoxalmente rimados
Deitados no papel, filas de corpos amontoados
Olhando para mim e sorrindo obsessivamente
                                                                         (Rafael de Oliveira)

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Da Educação no Brasil

                                            Herança pragmática

Dos jesuítas – o abstracionismo da verdade
Não o ideal da eterna busca – continuidade –
Apenas a verdade dogmática do sim e do não

Da necessidade de reforma – Marquês de Pombal
Entre o céu e o inferno. Perdido entre o bem e mal
- Déspotas esclarecidos; o ensino na contramão –

Do período imperial – o florescer da subcultura
Conceitos europeus – pré-estabelecida moldura –
Desacredita ao nativo o direito de emancipação...

Do ideal republicano – bem intencionada hipocrisia
Indiferente à realidade - o conceito de democracia -
Sociedade envolta em utopia – imersa na escuridão

Da revolução dos anos trinta – mera maquiagem
Previsão constitucional, Ministério – engrenagem
Para reavivar os sonhos dos que se nutrem de ilusão

Do Estado Novo – A farsa do sentimento patriótico
Este nacionalismo maculado, ufanismo simbiótico
De baixar a cabeça diante dos interesses da nação

Da república populista e seus polidos reflexos
- Vejo ratos emancipados tropeçando perplexos
Diante dos complexos conceitos de Educação –

...
 
Se questionado a respeito da educação na ditadura
Entrego os cadáveres amontoados numa vala escura
Das mentes pensantes que se opuseram a repressão

...

Se questionado se neste momento vejo algo de novo
Conceitos em conflito; esmolas à ignorância do povo
Apenas mais um nebuloso período de falsa transição!
                                                                            (Rafael de Oliveira)

terça-feira, 3 de julho de 2012

Da Religião

Embriagadas pelo entorpecente da ignorância
- As ovelhas - subjugadas pelo receio do inferno
Por medo de sua pequenez, corrupção e ganância
Rendem-se a qualquer promessa de amor eterno

Cada indivíduo, envolto em sua própria verdade
(Entendimento, ponto de vista... Apenas mentira)
Diante do mais ínfimo resquício de san(t)idade
Permite que seus demônios sucumbam à ira...

Perdidos em suas crenças – idiotia generalizada
Deixados para trás, abandonados na estrada...
Covardemente curvados pelo peso da cinta!

E enquanto gemem esses fiéis, entregues ao frio
Ofertando, incansáveis, mudas orações ao vazio
Surge um novo cordeiro sangrando tinta!
                                                                     (Rafael de Oliveira)