terça-feira, 24 de abril de 2012

Sanguessugas

                                      À Crítica Literária

             
Aquele que num surto toma a mão do poeta
- O crítico - pai da representação imagética
Sanguessuga - à própria maneira interpreta
Faz calar a voz, reescreve o texto à sua ética

É como a vítima iminente de um homicida
Que num momento de extasiante desatino
Faz-se ele próprio facínora do seu destino
Toma a arma e atira contra sua própria vida

O leitor cheio de si, agindo à própria vontade
Faz do poeta mero fantoche da humanidade
A dizer aquilo que cada um traz em seu castigo

A arte da escrita - dotada de uma cínica beleza
Absoluta sob as versões, contraditória nobreza
Permite-se carregar todas as versões consigo...
                                                          (Rafael de Oliveira)

Um comentário:

  1. Dizem as más línguas que tu és o meu irmão gêmeo. Discordo das más línguas: acho que és, na verdade, o meu irmão gênio!

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