quarta-feira, 18 de abril de 2012

Anacoreta

Lobo solitário, inconsciência anônima
Ideal utópico - às margens do social
Contraventor de toda ordem canônica
Excelentíssimo juiz e o eterno marginal

A solidão, obstinada em me conquistar
Sussura sutil e sedenta em meus ouvidos
Aperta. Faz-me carícias, faz-me salivar
Toma minha consciencia e meus sentidos

Livre das interpretações da humanidade
Livre do seu julgamento, da sua fragilidade
Livre da teia em que esses animais habitam

Recolho-me à inexistência - à insignificância
Afasto o presente, refugio-me na infância
Onde a realidade e os sonhos coabitam...
                                                   (Rafael de Oliveira)

3 comentários:

  1. Que bom vê-lo escrevendo outra vez, seja bem vindo de novo...
    A infância, sempre um refúgio, um caminho...
    Andei lendo "A noite que nos habita" e "Cuidado: Silêncios Soltos", algumas coisas me lembraram você.
    Até breve.

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  2. Eu não tenho nem como me refugiar na infância, não lembro de muitas coisas :/
    Eu tinha me entregado a solidão, a escuridão, até que encontrei alguém que era sozinho também, e fizemos a solidão a dois.
    Mas as vezes penso que a solidão seja a melhor saída, assim você não se machuca e nem machuca ninguém.

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  3. Gosto muito da maneira como você se expressa! ^^

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