terça-feira, 24 de abril de 2012

Sanguessugas

                                      À Crítica Literária

             
Aquele que num surto toma a mão do poeta
- O crítico - pai da representação imagética
Sanguessuga - à própria maneira interpreta
Faz calar a voz, reescreve o texto à sua ética

É como a vítima iminente de um homicida
Que num momento de extasiante desatino
Faz-se ele próprio facínora do seu destino
Toma a arma e atira contra sua própria vida

O leitor cheio de si, agindo à própria vontade
Faz do poeta mero fantoche da humanidade
A dizer aquilo que cada um traz em seu castigo

A arte da escrita - dotada de uma cínica beleza
Absoluta sob as versões, contraditória nobreza
Permite-se carregar todas as versões consigo...
                                                          (Rafael de Oliveira)

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Anacoreta

Lobo solitário, inconsciência anônima
Ideal utópico - às margens do social
Contraventor de toda ordem canônica
Excelentíssimo juiz e o eterno marginal

A solidão, obstinada em me conquistar
Sussura sutil e sedenta em meus ouvidos
Aperta. Faz-me carícias, faz-me salivar
Toma minha consciencia e meus sentidos

Livre das interpretações da humanidade
Livre do seu julgamento, da sua fragilidade
Livre da teia em que esses animais habitam

Recolho-me à inexistência - à insignificância
Afasto o presente, refugio-me na infância
Onde a realidade e os sonhos coabitam...
                                                   (Rafael de Oliveira)

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Branco Poético

Nascido opoente à luz de pura inspiração
Branco! - obstáculo vil em linhas infernais
- A adrenalina me toma furtiva pela mão -
Aprisionado em mim - calabouços abissais

A vida salta aos meus olhos num segundo
Meus sentimentos e razão já não coabitam
Explode no meu peito a amargura do mundo
Nada além do vazio que meus olhos fitam...

Em posição fetal - os músculos contorcidos
Pensamentos obssessivamente destorcidos
- A apreciação do eterno vazio em meu ser -

Já não há nada além do vácuo - carrasco ilícito
E logo de mim, que fui sempre à arte tão solícito
Fogem as palavras e não se permitem escrever.
                                                       (Rafael de Oliveira)