terça-feira, 31 de janeiro de 2012

La Vendetta

                 O soco de um bandido
 
- Abre os olhos -... Ainda tomado pela vertigem
Não consegue mensurar quanto sangue fora perdido
O corpo chora sob o manto branco de uma virgem
O seu olhar grita! Fita o banquete rubro ali servido
 
Suas mãos duramente acorrentadas sobre a cabeça
Seu olhar, mirando sempre o banquete, gritava mudo.
O carrasco, a espreita, para que ele não esqueça
O verdadeiro significado daquilo tudo...
 
Sobre a mesa, num canto especialmente iluminado
Reluzente, o seu já não tão imponente distintivo...
Do canto escuro, ao seu encontro - meu rosto inchado
Soube naquele instante: Não deveria ter me deixado vivo
 
- A música ao fundo, soava soleníssima - Doce Vampiro -
Lenta e vagarosamente, o servia da sua própria carcaça
Estampado em seu olhar, o medo. Implorava por um tiro
Pobre ingenuidade, era apenas o prelúdio da minha graça
 
Diante dele, desce ao chão a cortina. Obra digna do teatro
Não pôde acreditar no que o seus olhos lhe sussurravam
- Uma janela, e na ante sala, sua mulher e filha gritavam -
Após me servir apropriadamente - acorrentadas de quatro.
 
   "Catarse... Lágrimas verteram dos olhos meus
     Humilde regente desta obra singela e impoluta
      Desespero. Lágrimas verteram dos olhos seus
       Hipócrita indescente... Opressor filho da puta"
 
Naquele instante, seus olhos tentavam, mas não desviavam
Golpes rápidos, mas não sem dor, as fendas desabrochavam
Suas lindas flores entrelaçadas para morrer lascivamente
 
- Corto as suas mãos, língua, olhos e claro, sua virilidade
Furo seus tímpanos. Entregando-o a escuridão da insanidade
Deixando apenas aquelas últimas memórias em sua mente -
                                                                               (Rafael de Oliveira)

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