segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

O Pianista

Amparado piano melancólico
Que fizeste por merecer tamanha tristeza divina
Sentiste o frio que cortou junto à campina?

Sob o véu da verdade existe o "si" sustenido
Em adágio...

Presságio.
Em ventos longínquos de amanhãs adormecidos.
Sofridos.
Os tempos que enlaçam a morte à criança.
Esperança.
A única que assistirá ao fim da existcência.
Inocência.
Daqueles que se permitem iludir...

Almas solitárias em sincronias...

O Caos que desenvolve-se no ventre da Harmonia
Como música sentida e ouvida...
Um silêncio cinza que ronda os meus olhos...

Na quietude enaltecida pelo vinho dos afagos
Desta dança sinuosa de esquadros
Sinergia apática de existir

Essa inquietude vívida da inexistência
Desprovida de significância
Essa ânsia!
Eufórica apaziguadora de si
Que tocava as nuvens na profecia que vi
Enquanto dançava a inaudível dança
Sob a melancólica sinfonia do piano

Vertendo lágrimas desesperadas ao sorrir...
                                      (Rafael de Oliveira e Vitor Mendes Dias)

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Reflexos Chocados


Derradeiras? Mesmo com estes frutos tão interessantes?
Mundo em ladeiras? Tinha de ser assim tão... Alucinantes?!
Certamente que sim senhor, não queira que o seu mundo seja como o meu.
Sinto muito, me avisaste tarde demais... Já não distingo meu mundo do seu...

Digamos, por exemplo, que todo este transtorno foi devido às alegorias.
Não às cavernas do pseudoconsciente, mas àquilo em que consistem...
Consistências... Texturas... Cores... Somente exclamo!

O que fizeste no instante em que cores e formas já se fundiam?
Simplesmente observei todo este diorama digno de uma ópera.
Perdoa-me novamente, minhas lágrimas caem ao ver os ratos na mesma direção...
Simplórios vetores que ousam pensar obter de fato alguma espécie suja de sabedoria!

Enquanto às rimas?! Sumiram?! Ainda posso sentir o fardo da poesia...
Ah... O fardo é algo inevitável, acredito. Talvez faça parte deste sistema...
Apenas para a corja de pensadores que se livraram das vendas!
Lembro-me do momento em que as vendas se foram e o ar ficou mais quente.
Haverão tardes ainda mais longas?! Eternas tardes de maio...
Desejo muito que sim, o futuro já fugiu da minha vista e o passado me abomina.

Reflexos chocados... O futuro se revela ao presente! Sonhei com o universo - Ele sorria...
                                                                                   (Rafael de Oliveira e Vitor Dias)

Limbo Cibernético


O homem, incapaz de autoconfrontar-se
Temendo encontrar-se consigo mesmo
Inventa máscaras vãs para socializar-se
Caminha errante e sem verdade - a esmo.

Cativo em uma realidade paralela
Aliena-se, inerte, no mundo virtual
Abdica ao horizonte em prol da tela
Abstém-se de si e do mundo natural...

Arquiteta para si uma nova personalidade
Faz-se sábio, humilde, politizado e fraterno.
Amante da natureza, do outro, da diversidade.
Faz-se conhecedor, compreensível e terno...

Na desmaterialização da sua significância
Acaba - por inocência ou ignorância -
Soterrado pela vaidade - Eterno porvir -

Condenado a vagar no limbo cibernético
Respondendo ao mais vil anseio frenético
De não sentir-se sozinho para se sobressair...
                                                          (Rafael de Oliveira)

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Admirável Mundo Novo

Na copa do mais alto carvalho
Onde todo o universo refletia
Em um pequeno globo reluzia
Estilhaços do mundo, gota de orvalho.
                    
O mar, aos olhos da Lua, adormecia.
Recompondo partículas mórbidas, frias.
De um inconsciente há muito esquecido

E na inquietude sólida, prostram-se, divinas
As odaliscas andróides do novo mundo.
- Carneiros sangrando corruptos valores -
Vomitando oferendas ao seu Cristo moribundo.
                                                (Por Rafael de Oliveira e Vitor Dias)
                                                    27 de setembro de 2010

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Pulse!

               "Aos poucos"

...
               
Transcenda as barreiras do mundo sensível
Permita-se, numa eterna fração de segundo,
Transportar-se de si – ao mundo inteligível.
Fundir o ser ao conhecimento mais profundo

Respire a luz que agora rasga as tuas vestes
Abandone as suas personas - uma a uma -
Do mais ínfimo átomo aos corpos celestes
Faz-se causa e efeito - tudo e coisa nenhuma.

Desvencilhe-se das amarras do sentimento
Rasgue o manto da mimeses - o mundano -
Livre-se do amor, ódio, temor e sofrimento.
Livre-se deste mundo demasiado humano! 

...
                                                          (Rafael de Oliveira)

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Psicose

Meus olhos desaguaram no mar da melancolia
Quando num lapso auditivo, em meio ao trauma
Vi mover seus lábios; ouvir o som que produzia:
“Faça-me sangrar até a morte, toma minha alma”
 
Meus olhos vazios fitaram projeções imaginárias:
“Dois corpos amantes dançavam em minha frente
A lâmina prateada perfurando-a incessantemente”
Memórias distorcidas – reminiscências sanguinárias
 
Rio de aguas mansas cujo leito em mim desaguara
Doce fonte imaculada da mais límpida agua clara
- Aquela cuja carne macia saciara a minha fome -

Fora vítima do mais vil e desconcertante desatino
Esquartejada, fatiada em postas por um assassino
Perdido em um anagrama qualquer com meu nome.
                                                                        (Rafael de Oliveira)


quarta-feira, 18 de julho de 2012

Retrato Poético de uma Mente em Desatino

                                                         ou  Retrato em Desatino de uma Mente Poética
 
De todas as mentiras deste mundo
A maior e mais contraditória - a poesia
Alimenta-se do meu limbo mais profundo
Para vomitar uma espécie suja de heresia
 
Do abismo entre o meu ser e a realidade
Da minha cabeça à ponta dos meus dedos
As palavras, irônicas, revelam-me segredos
Mentem-se fictícias para dizer-me a verdade

Versos oligofrênicos - subversivos versos vivos
Ritmados ao pulsar frenético em meus ouvidos
Como o estilhaçar de espelhos em minha mente

Versos antagônicos - paradoxalmente rimados
Deitados no papel, filas de corpos amontoados
Olhando para mim e sorrindo obsessivamente
                                                                         (Rafael de Oliveira)

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Da Educação no Brasil

                                            Herança pragmática

Dos jesuítas – o abstracionismo da verdade
Não o ideal da eterna busca – continuidade –
Apenas a verdade dogmática do sim e do não

Da necessidade de reforma – Marquês de Pombal
Entre o céu e o inferno. Perdido entre o bem e mal
- Déspotas esclarecidos; o ensino na contramão –

Do período imperial – o florescer da subcultura
Conceitos europeus – pré-estabelecida moldura –
Desacredita ao nativo o direito de emancipação...

Do ideal republicano – bem intencionada hipocrisia
Indiferente à realidade - o conceito de democracia -
Sociedade envolta em utopia – imersa na escuridão

Da revolução dos anos trinta – mera maquiagem
Previsão constitucional, Ministério – engrenagem
Para reavivar os sonhos dos que se nutrem de ilusão

Do Estado Novo – A farsa do sentimento patriótico
Este nacionalismo maculado, ufanismo simbiótico
De baixar a cabeça diante dos interesses da nação

Da república populista e seus polidos reflexos
- Vejo ratos emancipados tropeçando perplexos
Diante dos complexos conceitos de Educação –

...
 
Se questionado a respeito da educação na ditadura
Entrego os cadáveres amontoados numa vala escura
Das mentes pensantes que se opuseram a repressão

...

Se questionado se neste momento vejo algo de novo
Conceitos em conflito; esmolas à ignorância do povo
Apenas mais um nebuloso período de falsa transição!
                                                                            (Rafael de Oliveira)

terça-feira, 3 de julho de 2012

Da Religião

Embriagadas pelo entorpecente da ignorância
- As ovelhas - subjugadas pelo receio do inferno
Por medo de sua pequenez, corrupção e ganância
Rendem-se a qualquer promessa de amor eterno

Cada indivíduo, envolto em sua própria verdade
(Entendimento, ponto de vista... Apenas mentira)
Diante do mais ínfimo resquício de san(t)idade
Permite que seus demônios sucumbam à ira...

Perdidos em suas crenças – idiotia generalizada
Deixados para trás, abandonados na estrada...
Covardemente curvados pelo peso da cinta!

E enquanto gemem esses fiéis, entregues ao frio
Ofertando, incansáveis, mudas orações ao vazio
Surge um novo cordeiro sangrando tinta!
                                                                     (Rafael de Oliveira)

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Teatro de Máscaras

Diante do espelho - meus olhos apáticos
Assisto a ruína de mais uma face em mim
Encaro minha alma - vejo olhos fanáticos
Que anseiam, sedentos, seu próprio fim...

Quantas máscaras terei ainda que portar
Neste enfadonho teatro que se chama vida?
Por quantas vezes terei ainda que suportar
O ir e vir de máscaras neste ato homicida?

Fecham-se as cortinas - minha cabeça tonta
Atiro-me para o rumo que esta peça aponta
Concedo-me o direito de não contracenar...

Um tiro na cabeça - massa falida de carne morta.
Diante da verdadeira mãe que a todos conforta
Já não é preciso personagens para representar...
                                                           (Rafael de Oliveira)

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Correnteza

Já não sorrio
Já não ouso amar...
Já não sou rio
Já não ouço o mar...

         (Rafael de Oliveira)

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Ave Satani


                  A Aleister Crowley
                  A Hermes Trimegistro
                  A Buda. A Jesus Cristo
                  À Loucura... À ninguém.

Tu que és luz. Arcanjo do Inferno
O anjo caído - O eterno viajante -
- O Terceiro olho, Sol de inverno -
És Deus; seu Alter egus flamejante

Ouço desejoso o soar do teu passo
Anseio, sedento, o beijo da Morte
Meu pulso cortado - o contrapasso -
O sorriso cândido ao final do corte...

A natureza maliciosa da verdade
- A retidão escrita na linha curva -
Luz triunfante sob a manta turva
Imposta pela infame religiosidade.

És a arte em sua magnificência
- O entrelugar de toda aporia -
És o contraditório - A imanência -
O abismo entre homem e filosofia.

"Pai da una inconsciência coletiva
 Corpo da gnosis - a fonte viva
 Profunda catarse de todo ritus

 És a elevação de toda conciência
 O sustentáculo de toda ciência
 - Ave Satani. Ave versus cristus!"
                                   (Rafael de Oliveira)

terça-feira, 24 de abril de 2012

Sanguessugas

                                      À Crítica Literária

             
Aquele que num surto toma a mão do poeta
- O crítico - pai da representação imagética
Sanguessuga - à própria maneira interpreta
Faz calar a voz, reescreve o texto à sua ética

É como a vítima iminente de um homicida
Que num momento de extasiante desatino
Faz-se ele próprio facínora do seu destino
Toma a arma e atira contra sua própria vida

O leitor cheio de si, agindo à própria vontade
Faz do poeta mero fantoche da humanidade
A dizer aquilo que cada um traz em seu castigo

A arte da escrita - dotada de uma cínica beleza
Absoluta sob as versões, contraditória nobreza
Permite-se carregar todas as versões consigo...
                                                          (Rafael de Oliveira)

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Anacoreta

Lobo solitário, inconsciência anônima
Ideal utópico - às margens do social
Contraventor de toda ordem canônica
Excelentíssimo juiz e o eterno marginal

A solidão, obstinada em me conquistar
Sussura sutil e sedenta em meus ouvidos
Aperta. Faz-me carícias, faz-me salivar
Toma minha consciencia e meus sentidos

Livre das interpretações da humanidade
Livre do seu julgamento, da sua fragilidade
Livre da teia em que esses animais habitam

Recolho-me à inexistência - à insignificância
Afasto o presente, refugio-me na infância
Onde a realidade e os sonhos coabitam...
                                                   (Rafael de Oliveira)

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Branco Poético

Nascido opoente à luz de pura inspiração
Branco! - obstáculo vil em linhas infernais
- A adrenalina me toma furtiva pela mão -
Aprisionado em mim - calabouços abissais

A vida salta aos meus olhos num segundo
Meus sentimentos e razão já não coabitam
Explode no meu peito a amargura do mundo
Nada além do vazio que meus olhos fitam...

Em posição fetal - os músculos contorcidos
Pensamentos obssessivamente destorcidos
- A apreciação do eterno vazio em meu ser -

Já não há nada além do vácuo - carrasco ilícito
E logo de mim, que fui sempre à arte tão solícito
Fogem as palavras e não se permitem escrever.
                                                       (Rafael de Oliveira)

quinta-feira, 22 de março de 2012

Alegoria Imanente

No falso toque entre dois corpos amantes
Na vã sinceridade frente ao olhar do amigo
No arrastado caminhar dos poetas errantes
No amor e ódio do homem para consigo...

Nas flores que desabrocham sob o arrebol
No olhar vazio da derradeira despedida
Na comunhão de todos os mistérios, a vida
Revela-se reflexo da magnificência do Sol...

O universo, projeção paupável do inconsciente
Todas as cores e formas - vil ilusão imanete
- Quadro psicótico. Um brado à esquizofrenia!

Escrevo pra ninguém - sou o poeta e os leitores
Invento ruas, lares, bares, amigos e amores
Sou o inventor da vida e de toda sua alegoria...
                                                          (Rafael de Oliveira)

terça-feira, 6 de março de 2012

Grito Mudo!

                    Um porco fardado
               Uma ruela sinuosa
          Um João ninguém...
 
 
Um Porco corrupto
Pseudoimpoluto
Subproduto
Um Bruto
O inculto.
 
Um vulto.
O insulto.
- O surto
Abrupto -
Um tumulto
Ininterrupto
E num minuto
Um tiro mudo
Sustenido agudo.

Um instante curto
Jaz qualquer oculto
Vala comum. Sepulto.
...
 
Armaram a incultura
Fizeram Deus a criatura
Deram-lhe o direito de matar!
 
Muna-se pois a contraproposta
Desata-se desta estupidez imposta
Reivindica o seu direito de questionar!
                                      (Rafael de Oliveira)

segunda-feira, 5 de março de 2012

Instinto Animal

                              Instinto obsessivo
 
Do canto da rua. O olhar apreensivo...
Reina soberano unico impulso: - Mata! -
O mais íntimo instinto. Puro e obsessivo
Ardor divino. Intrínseco desejo psicopata

Temente à vergonha da tortura
- Passar de predador à presa -
"Ser a vítima de alheia loucura
Ser o banquete posto a mesa!"
 
Fazer-me a caça e não o caçador
- Ofensa inadimissível para mim -
E por saber não suportar esta dor
Caçarei meus semelhantes até o fim.
 
Um passo sempre a frente, previnido
Vasculharei as mentes em busca do mal
Dois animais. Um vencedor, um abatido
O cheiro do assassínio - Instinto animal

E por mais que procure com tanto zelo
Uma verdade aponta em minha mente
Estando eu, em meio a toda esta gente
Pergunto: - Quem não poderia fazê-lo?
                                            (Rafael de Oliveira)

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Estações...


                              para Laísla

Num dia qualquer, vestida de outono
O olhar triste, a feição melancólica
Faz-se distante, temerosa e arredia...

Noutro dia, solitária em seu trono
Olhos ao longe, paisagem bucólica
Entregue à monótona tarde de inverno

E num sorriso meigo e apaixonante,
O ardor da paixão, a dor lancinante
Faz-se sol de verão, acolhedor e terno

Traz-me cores, perfumes, me acalma
Orna com tuas flores a minha alma
Na doce primavera da sinestesia...
                                         (Rafael de Oliveira)

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Exaltação à Loucura

                                       A Erasmo de Rotterdam (1466-1536)

Ainda que não a compreendam em tua grandeza
Ainda que se autoproclames indiferente à filosofia
Por tua infinita modéstia e arrebatadora nobreza
Louvar-te-ei! Pois quão grande é a tua sabedoria

Afastas de ti toda a racionalidade e sua reflexão.
És, em verdade, fruto do incessante multirreflexo
Por mais que amaldiçoes a mim por esta conexão
Põe-se a rir desvairada. Sabes que tudo é reflexo.

 E nos acolhedores braços desta mãe zelosa
 O verdadeiramente sábio entrega-se e goza
 Do eterno e luminoso abraço da insanidade...

Aos normais, sob a manta púdica da hipocrisia
- Os "verdadeiros loucos", por tamanha heresia -
A todos aqueles que a julgam como bestialidade

Aos poucos sábios, embriagados por suas loucuras
Aos loucos varridos, tecendo cores em valas escuras
Enfim, a todos os homens: - Eis a vossa san(t)idade!
                                                                  (Rafael de Oliveira)

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Olhos da Loucura

                             Olhos de menina

O frio na espinha, a mente vagueia
Sinto o prenúncio de um novo curto
A verdade. O inconsciente. O surto
Em face do real, a ilusão que norteia

Acorrentado a um estranho cativeiro
Escuro e denso - Mentira sem nexo -
- Todas as verdades - infinito reflexo
E a vida, apenas capricho do Coveiro" 

Os olhos da loucura me pesam os ombros
Já Não há luz. Apenas cinzas, escombros
Já não há bem ou mal... Diabo ou Deus...

Salva-me desta insana lucidez - Doutrina
Transporta-me do eterno poço - Neblina
Aos sóis suspensos... Aos olhos teus...
                                              (Rafael de Oliveira)

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Pele de Cobra

             Aos nascidos da pobreza nua
                Aos papelões estirados na rua
                    Aos pés descalços no asfalto.
 

Escamotada pele de serpente
Alegoria em desfile de castas
- Corja manipuladora de gente
Palco imundo de neuropastas -

Cores, raças, crenças, gêneros
Ao diferente, dita dura palmatória
Repetidas vozes, valores efêmeros
Comercializaram Deus e sua glória

Almejo a revolução dos esquecidos
Dos corpos marginalizados e banidos
Pregando ódio ao sim, amor ao não

Sonho com fardas ensanguentadas
Casas invadidas, gritos nas escadas
Corpos de policiais estirados ao chão
                                         (Rafael de Oliveira)

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

La Vendetta

                 O soco de um bandido
 
- Abre os olhos -... Ainda tomado pela vertigem
Não consegue mensurar quanto sangue fora perdido
O corpo chora sob o manto branco de uma virgem
O seu olhar grita! Fita o banquete rubro ali servido
 
Suas mãos duramente acorrentadas sobre a cabeça
Seu olhar, mirando sempre o banquete, gritava mudo.
O carrasco, a espreita, para que ele não esqueça
O verdadeiro significado daquilo tudo...
 
Sobre a mesa, num canto especialmente iluminado
Reluzente, o seu já não tão imponente distintivo...
Do canto escuro, ao seu encontro - meu rosto inchado
Soube naquele instante: Não deveria ter me deixado vivo
 
- A música ao fundo, soava soleníssima - Doce Vampiro -
Lenta e vagarosamente, o servia da sua própria carcaça
Estampado em seu olhar, o medo. Implorava por um tiro
Pobre ingenuidade, era apenas o prelúdio da minha graça
 
Diante dele, desce ao chão a cortina. Obra digna do teatro
Não pôde acreditar no que o seus olhos lhe sussurravam
- Uma janela, e na ante sala, sua mulher e filha gritavam -
Após me servir apropriadamente - acorrentadas de quatro.
 
   "Catarse... Lágrimas verteram dos olhos meus
     Humilde regente desta obra singela e impoluta
      Desespero. Lágrimas verteram dos olhos seus
       Hipócrita indescente... Opressor filho da puta"
 
Naquele instante, seus olhos tentavam, mas não desviavam
Golpes rápidos, mas não sem dor, as fendas desabrochavam
Suas lindas flores entrelaçadas para morrer lascivamente
 
- Corto as suas mãos, língua, olhos e claro, sua virilidade
Furo seus tímpanos. Entregando-o a escuridão da insanidade
Deixando apenas aquelas últimas memórias em sua mente -
                                                                               (Rafael de Oliveira)

Nuvem de Poeira

Uma nuvem desliza em minhas mãos
Cinza. Provoca-me um sorriso demoníaco
Reluzente reflexo de um Deus maníaco

- O eterno meditar dos velhos anciãos -


Trombetas de um longínquo futuro
Que há muito perdeu-se no passado
- O céu, carregado, fez-se escuro
E todo coração humano, arrancado -



Surto pscicótico ou graça divina?!
Na morte - encontro de toda esquina
A loucura, verdade absoluta, faz morada



... Tal qual o apóstolo do Apocalipse
O Sol a render-se à Lua, o eclipse...
- Surto de Deus. A vida em sua alvorada -
                                             (Rafael de Oliveira)

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

O Peso da Cruz

Em certos momentos da minha triste sina
- Quando caminho lento, além mar, à deriva
Onde a noite se faz minha unica celula viva -

Perdido na curva. Subconsciente esquina...


É onde a tristeza toma para si minha razão
Deliciosa e maliciosamente, me seduz
Transfigura-se lentamente em uma cruz
Que muito me pesa neste deserto de ilusão.



É quando me isolo de toda forma humana
Na minha eterna busca, surreal e insana
Incomunicável, insisto... Até para mim



Naqueles dias vazios que passo na cama
Naquele instante em que meu pulso clama
Revelo em segredo - Também temo por mim...
                                              (Rafael de Oliveira)

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Suicídio


O início do fim
Ceifado pela insensatez
Abdicado por mim
Maculo minha própria tez

O sangue desce
- Vermelho rio -
Meu corpo padece
Tremo de frio

Fita rubra e densa
Encharca minh’alma
A noite suspensa
Serena e calma...

Largo a faca
Encontro o chão
A morte, estaca
Enraizada no meu coração
                      (Rafael de Oliveira)