quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Aos Vinte e Dois


                             Ao grande poeta, Vitor Dias.

Vinte e duas vidas foram vividas
Vinte e duas mascaras cinzentas
Por vinte e duas vezes lamentas
Às vinte e duas virgens esculpidas

Os corvos por vinte e duas vezes
Alimentaram-se da tua carcaça
Longos invernos, vinte e dois meses
Promulgados em sua (des) graça

Enfrentaste demônios no mar vermelho
Ficaste perdido entre os espelhos
Para tomar pra si a sabedoria

És, portanto, a insanidade personificada
Nos corpos nus, és a faca encravada
Vinte e dois anos de melancolia
                                     (Rafael de Oliveira)

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

À Deriva


                      às Margens do Ser

Sei, sou um homem doente.
... Infinidades patológicas
Habitam meu corpo e mente
Desenhando todas as lógicas
Atrás desta mascara demente

A carcaça que me individualiza
Nunca gozou de alguma saúde
A morte lentamente se enraíza
Indo e vindo desejosa e amiúde

Atravessei as possibilidades, vidas
Além das margens... Além do cais
Além das realidades conhecidas
E não fui feliz jamais...

Em minha cabeça - deserto ilusório
Disputam infinitas faces de mim
As que se sobressaem, é notório
Já carregam o fardo do fim...
                                  (Rafael de Oliveira)

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Desventuras


          Encontros e desencontros

Laços firmes. Nós atados com cautela.
Desatados... Coloridos fios de cetim
Flutuam leves rente ao chão da cela
Do meu inconsciente, meu eu, enfim...

Falatórios dispensados a ouvidos surdos
Verdades lançadas entre o mar de espelhos
Ao fazer das minhas vãs palavras, conselhos
Satisfizeram seus egos. Reflexo de absurdos

“Apegados as infinitas possibilidades
Incapazes de ver nelas, suas verdades
- Garganta cortada. Fizeram-me mudo –

Cobertos por vestes de insanidade
Por receio de ostentar sua normalidade
“Iguais, por se dizer diferentes de tudo.”
                                            (Rafael de Oliveira)