terça-feira, 13 de setembro de 2011

O Terminal


O ponteiro do relógio empurra as massas
Que caminham cabisbaixas, sem coração
A nobreza e seu eterno tilintar das taças
A embriagar-se com o sangue da nação

A cobiça institucionalizada, álibi principal
- Comprando, vendendo, trocando vidas -
Pernas apressadas, carros nas avenidas
Tumulto atordoante, corrida pelo capital

[...]

Na sarjeta, à beira da calçada, pobre criança
Flor da terra, resplandecer da esperança
- Falsa mãe dos pobres que a todos veta -

O Sol a derramar-se inteiro sobre a cabeça
Olhos baixos não impedem que o sono cresça
Cegam-lhe a vista, afastam-no da sua meta...

A batalha é finita, desce ao chão o seu chapéu...
Agora sonha... A única forma de conhecer o céu.
- O coração para, a alma estremece, chora o poeta -
                                                     (Rafael de Oliveira)

2 comentários:

  1. Meu caro, não é puxasaquismo, pois sabes que nossa amizade independe de tal atitude e isso também não faz parte do meu "eu", mas verdadeiramente, fico impressionado com seus escritos, deixa-me inebriado. Aloha!

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  2. Muito bom, mesmo. Onde os transeuntes continuam cumprindo fielmente o seu ato burocrático de passar, o poeta se atenta por um momento atemporal e tira daquelas chagas poesia.

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