domingo, 18 de setembro de 2011

Gemido Iconsciente

                                   Carta poética a um velho amigo

Única guardiã da verdade sã e pura
Entre os porcos, a virgem imaculada
Dualidade vil, espelhos da vã loucura
Entre os santos, a meretriz violentada

Na loucura, em sedução, vidas cativas
- O imaginário lentamente passa a ser -
Nossas literais realidades definham vivas
- Sozinhos e perdidos às margens do ser -

Por quantas vezes te disse, louco amigo
Aonde vás, levas a consciência contigo
Para que a contento, possas regressar

Conviva com a peçonha do sentimento
Viva, Sonha... Pois sei que ainda é tempo
E por mais que doa, não é hora de acordar
                                                     (Rafael de Oliveira)

terça-feira, 13 de setembro de 2011

O Terminal


O ponteiro do relógio empurra as massas
Que caminham cabisbaixas, sem coração
A nobreza e seu eterno tilintar das taças
A embriagar-se com o sangue da nação

A cobiça institucionalizada, álibi principal
- Comprando, vendendo, trocando vidas -
Pernas apressadas, carros nas avenidas
Tumulto atordoante, corrida pelo capital

[...]

Na sarjeta, à beira da calçada, pobre criança
Flor da terra, resplandecer da esperança
- Falsa mãe dos pobres que a todos veta -

O Sol a derramar-se inteiro sobre a cabeça
Olhos baixos não impedem que o sono cresça
Cegam-lhe a vista, afastam-no da sua meta...

A batalha é finita, desce ao chão o seu chapéu...
Agora sonha... A única forma de conhecer o céu.
- O coração para, a alma estremece, chora o poeta -
                                                     (Rafael de Oliveira)