segunda-feira, 22 de agosto de 2011

A Viúva

Noiva de tudo aquilo que é vivo
- Esposa eterna, última amante. -
Levaste contigo o meu amor cativo
Para a cintilação eterna diamante.

As horas me consomem a sanidade
A flor da minha vida enfim murchou
- Anseio doentio o passar da idade -
Cores mortas... O arco-íris se apagou

O vazio agora me rasga o peito
Durmo noites a fio em teu leito
Não há mais nada que me valha ser

Meu dia caminha vagarosamente
Espero dormir, pura e simplesmente.
Para nos meus sonhos poder te ver
                                    (Rafael de Oliveira)

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Genealogia Descabida


Produto da ancestral orgia incestuosa
Vertente seca da genealogia descabida
Às margens da nobreza vil e suntuosa
Nasce a pobreza sangrando em carne viva
                                       
Em meio a violentos estupros noite adentro
Corpos encontrados em meio aos monturos
 À medida que nos aproximamos do centro
- Pedidos de socorro, os marginais, os muros -
 
Ruelas sinuosas refletidas aos olhos nus
Prole desprovida da misericórdia da cruz
Na desmaterialização de sua significância
 
Uma bala perdida, caminho único e certo
Para quem caminha as margens e vê de perto
A morte já enlaçada à primeira infância...
                                                        (Rafael de Oliveira)