terça-feira, 12 de julho de 2011

Carta ao Pai

Vós, que por todo sofrimento, a minha vida.
Representa do alto de sua mítica soberania.
Dentre todas as máculas, a constante ferida.
Fonte de todo desespero, angustia e apatia.

És fruto da mais podre arvore genealógica
Matriz deteriorada, concebida a esmo.
Vive em função da sua infundada lógica
De fazer dos seus, terminações de si mesmo.

Incapaz de suportar as pequenas diferenças
Apegado ao pântano em que vive obsoleto.
Pobre solitário, pedra em meu caminho...

E mesmo em contraponto às tuas sentenças
Recolho-me a oferecer-lhe este simples soneto
E desejar secretamente um gesto de carinho.
                                                      (Rafael de Oliveira)

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