terça-feira, 12 de julho de 2011

Carta ao Pai

Vós, que por todo sofrimento, a minha vida.
Representa do alto de sua mítica soberania.
Dentre todas as máculas, a constante ferida.
Fonte de todo desespero, angustia e apatia.

És fruto da mais podre arvore genealógica
Matriz deteriorada, concebida a esmo.
Vive em função da sua infundada lógica
De fazer dos seus, terminações de si mesmo.

Incapaz de suportar as pequenas diferenças
Apegado ao pântano em que vive obsoleto.
Pobre solitário, pedra em meu caminho...

E mesmo em contraponto às tuas sentenças
Recolho-me a oferecer-lhe este simples soneto
E desejar secretamente um gesto de carinho.
                                                      (Rafael de Oliveira)

domingo, 3 de julho de 2011

La Isla

Ladeada pela imensidão azul, porção de terra.
Guardada pelo imenso azul do nada, a ilha.
Que de tão meiga e acolhedora, uma filha.
Fez-me enxergar muito além do ódio ou guerra

Teus olhos resgatam-me do imenso mar de agonia.
Iluminam meu eterno negror, minha estrada sombria.
Tuas mãos transportam-me a plenitude da sinestesia.
Em teu corpo, o verdadeiro abraço em noite fria...

Foste capaz de amar a mais profunda tristeza
Encontrar nela alguma forma vil de beleza.
Diante da felicidade, cometeste a heresia.

Minha arte se fez viva, em ti, completa.
Entregaste o teu corpo a um poeta...
Em desejo ardente, faço dele poesia.
                                               (Rafael de Oliveira)