quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Estupro InConsciente


Como uma destas santas devotadas
Que anseiam febris pelo ato carnal
Ajoelhada, suas lindas mãos atadas
Ardente, sedenta do meu toque inicial

Eu, sádico, libertador da vil inocência
Acariciando, lascivo, seus imaturos seios
Contrariando a religião e a ciência
Correspondendo a íntimos anseios

Penetro em seu corpo, tomo sua mente
Não adianta resistir... Estou em você
Concebida a mim, como um presente
Não há singularidades... Eu sou você!

Caço suas vontades como uma fera
Rasgo sua mente, aprecio a pintura
Corpos mutilados, o inconsciente, a era
Onde a natureza toma pra si a criatura

Seu belo corpo e seu brilhante astro
Já não passam de uma taça derramada
Banhando aquecidamente o meu mastro
Desejando maliciosamente estar acordada.
                                               (Rafael de Oliveira)

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Aos Vinte e Dois


                             Ao grande poeta, Vitor Dias.

Vinte e duas vidas foram vividas
Vinte e duas mascaras cinzentas
Por vinte e duas vezes lamentas
Às vinte e duas virgens esculpidas

Os corvos por vinte e duas vezes
Alimentaram-se da tua carcaça
Longos invernos, vinte e dois meses
Promulgados em sua (des) graça

Enfrentaste demônios no mar vermelho
Ficaste perdido entre os espelhos
Para tomar pra si a sabedoria

És, portanto, a insanidade personificada
Nos corpos nus, és a faca encravada
Vinte e dois anos de melancolia
                                     (Rafael de Oliveira)

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

À Deriva


                      às Margens do Ser

Sei, sou um homem doente.
... Infinidades patológicas
Habitam meu corpo e mente
Desenhando todas as lógicas
Atrás desta mascara demente

A carcaça que me individualiza
Nunca gozou de alguma saúde
A morte lentamente se enraíza
Indo e vindo desejosa e amiúde

Atravessei as possibilidades, vidas
Além das margens... Além do cais
Além das realidades conhecidas
E não fui feliz jamais...

Em minha cabeça - deserto ilusório
Disputam infinitas faces de mim
As que se sobressaem, é notório
Já carregam o fardo do fim...
                                  (Rafael de Oliveira)

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Desventuras


          Encontros e desencontros

Laços firmes. Nós atados com cautela.
Desatados... Coloridos fios de cetim
Flutuam leves rente ao chão da cela
Do meu inconsciente, meu eu, enfim...

Falatórios dispensados a ouvidos surdos
Verdades lançadas entre o mar de espelhos
Ao fazer das minhas vãs palavras, conselhos
Satisfizeram seus egos. Reflexo de absurdos

“Apegados as infinitas possibilidades
Incapazes de ver nelas, suas verdades
- Garganta cortada. Fizeram-me mudo –

Cobertos por vestes de insanidade
Por receio de ostentar sua normalidade
“Iguais, por se dizer diferentes de tudo.”
                                            (Rafael de Oliveira)

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Meu Eterno Pesar

- A minha cabeça gira e pesa
Pensamentos não se formam
O pesar eterno que me lesa
Cores e formas que deformam -
 
Atordoantes facadas encravadas
Na extensão do meu córtex frontal
Dor, náuseas... Sucessivas pontadas
Sujeitam-me a um labor infernal

O fardo da vida aperta minha cabeça
Assegura-se para que eu não esqueça
De que meu corpo está morrendo...

Choram os olhos, atrofiam os membros
Eu, já cansado de contar dezembros,
Sorrio cínico, estou enlouquecendo...
                                       (Rafael de Oliveira)

domingo, 18 de setembro de 2011

Gemido Iconsciente

                                   Carta poética a um velho amigo

Única guardiã da verdade sã e pura
Entre os porcos, a virgem imaculada
Dualidade vil, espelhos da vã loucura
Entre os santos, a meretriz violentada

Na loucura, em sedução, vidas cativas
- O imaginário lentamente passa a ser -
Nossas literais realidades definham vivas
- Sozinhos e perdidos às margens do ser -

Por quantas vezes te disse, louco amigo
Aonde vás, levas a consciência contigo
Para que a contento, possas regressar

Conviva com a peçonha do sentimento
Viva, Sonha... Pois sei que ainda é tempo
E por mais que doa, não é hora de acordar
                                                     (Rafael de Oliveira)

terça-feira, 13 de setembro de 2011

O Terminal


O ponteiro do relógio empurra as massas
Que caminham cabisbaixas, sem coração
A nobreza e seu eterno tilintar das taças
A embriagar-se com o sangue da nação

A cobiça institucionalizada, álibi principal
- Comprando, vendendo, trocando vidas -
Pernas apressadas, carros nas avenidas
Tumulto atordoante, corrida pelo capital

[...]

Na sarjeta, à beira da calçada, pobre criança
Flor da terra, resplandecer da esperança
- Falsa mãe dos pobres que a todos veta -

O Sol a derramar-se inteiro sobre a cabeça
Olhos baixos não impedem que o sono cresça
Cegam-lhe a vista, afastam-no da sua meta...

A batalha é finita, desce ao chão o seu chapéu...
Agora sonha... A única forma de conhecer o céu.
- O coração para, a alma estremece, chora o poeta -
                                                     (Rafael de Oliveira)

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

A Viúva

Noiva de tudo aquilo que é vivo
- Esposa eterna, última amante. -
Levaste contigo o meu amor cativo
Para a cintilação eterna diamante.

As horas me consomem a sanidade
A flor da minha vida enfim murchou
- Anseio doentio o passar da idade -
Cores mortas... O arco-íris se apagou

O vazio agora me rasga o peito
Durmo noites a fio em teu leito
Não há mais nada que me valha ser

Meu dia caminha vagarosamente
Espero dormir, pura e simplesmente.
Para nos meus sonhos poder te ver
                                    (Rafael de Oliveira)

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Genealogia Descabida


Produto da ancestral orgia incestuosa
Vertente seca da genealogia descabida
Às margens da nobreza vil e suntuosa
Nasce a pobreza sangrando em carne viva
                                       
Em meio a violentos estupros noite adentro
Corpos encontrados em meio aos monturos
 À medida que nos aproximamos do centro
- Pedidos de socorro, os marginais, os muros -
 
Ruelas sinuosas refletidas aos olhos nus
Prole desprovida da misericórdia da cruz
Na desmaterialização de sua significância
 
Uma bala perdida, caminho único e certo
Para quem caminha as margens e vê de perto
A morte já enlaçada à primeira infância...
                                                        (Rafael de Oliveira)

terça-feira, 12 de julho de 2011

Carta ao Pai

Vós, que por todo sofrimento, a minha vida.
Representa do alto de sua mítica soberania.
Dentre todas as máculas, a constante ferida.
Fonte de todo desespero, angustia e apatia.

És fruto da mais podre arvore genealógica
Matriz deteriorada, concebida a esmo.
Vive em função da sua infundada lógica
De fazer dos seus, terminações de si mesmo.

Incapaz de suportar as pequenas diferenças
Apegado ao pântano em que vive obsoleto.
Pobre solitário, pedra em meu caminho...

E mesmo em contraponto às tuas sentenças
Recolho-me a oferecer-lhe este simples soneto
E desejar secretamente um gesto de carinho.
                                                      (Rafael de Oliveira)

domingo, 3 de julho de 2011

La Isla

Ladeada pela imensidão azul, porção de terra.
Guardada pelo imenso azul do nada, a ilha.
Que de tão meiga e acolhedora, uma filha.
Fez-me enxergar muito além do ódio ou guerra

Teus olhos resgatam-me do imenso mar de agonia.
Iluminam meu eterno negror, minha estrada sombria.
Tuas mãos transportam-me a plenitude da sinestesia.
Em teu corpo, o verdadeiro abraço em noite fria...

Foste capaz de amar a mais profunda tristeza
Encontrar nela alguma forma vil de beleza.
Diante da felicidade, cometeste a heresia.

Minha arte se fez viva, em ti, completa.
Entregaste o teu corpo a um poeta...
Em desejo ardente, faço dele poesia.
                                               (Rafael de Oliveira)

sábado, 25 de junho de 2011

Metáfora Social

Enquanto bradam por justiça as gravatas
Acomodadas na primeira fila do gaveteiro
Trabalham os chinelos em prol das percatas
Carregando nas costas o armário inteiro...
                                                (Rafael de Oliveira)

domingo, 29 de maio de 2011

Carta à Sociedade

                           Tarde de domingo...

Todo o pranto da minha infinita tristeza
Aquela que julgo carregar por essência
O véu que me priva de enxergar a beleza
Não existiria diante da tua ausência...

Não tens o poder de me impedir de pensar
Mas me impedes de viver meu pensamento
Impedes-me de viver o meu amor, não de amar
É tua a minha amargura e todo meu desalento

Todo pesar que insistes em perpetuar a teus filhos
Toda a mítica hierarquia imposta em teus trilhos
São apenas barreiras adversas em minha estrada

Caminho às margens de teus valores e gerações
Sou o Deus a quem prestaram todas as tuas orações
Eu sou o todo, infinito... E o todo - clichê?! - é o nada...
                                                                          (Rafael de Oliveira)

segunda-feira, 14 de março de 2011

Renúncia

Neste vasto deserto de sentimentos
Onde a maldade não se mostra optativa
Onde a paz revela-se em vãos momentos
Indiferente a mim, em cada célula viva

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A luz da Lua, fábula da realidade
- Espelho do Sol, chama da verdade -
Reflete meu desprezo em estar vivo

A morte, o fim de todo ser vivente
Desta máscara desvirtuada e demente
Reafirma-se por fim, o único objetivo
                                                   (Rafael de Oliveira)

sábado, 12 de março de 2011

Vidraças Entreabertas

Pratarias inteiras quebradas
Transformam, transmutam trágicas,
Todo tratamento catastrófico.

Vidraças entreabertas descobrem
Entreolhares, entre lugares transportam
A expressão trêmula de frio.

Triunfos e glórias de outrora
Subtraídos pela trama pragmática.
- O artista, trépido, entregua-se as traças -.

Sozinho - somente a sombra a lhe saltar a vista
Saudoso - Escuta os sinos soarem às seis da tarde
Submisso - Tece à morte seus versos de suicídio...
                                                       (Rafael de Oliveira)