segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Eu Ninguém

Ninguém mata sem ter motivo
Ninguém se autodestrói por prazer
Ninguém vive apenas por estar vivo
Ninguém ao menos sabe o que é viver

Ninguém anseia por algo que não conhece
Ninguém contra-ataca, ninguém vai além
Ninguém vê aquilo que de fato acontece
Ninguém conhece a face má que há no bem

E se a ninguém é atribuído tais absurdos
E se a ninguém é entoado o hino dos surdos
Devo maldizer o dia em que me fizeram alguém

É meu dever admitir sem mais demora
O que dentro de mim a muito desflora:
A natureza desencaminhada de ser ninguém...
                                                      (Rafael de Oliveira)

4 comentários:

  1. Uau, adorei!Lindo! Muito bom...

    " Devo mal dizer o dia que me fizeram alguém "

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  2. Melhor que ninguém só o Zé ninguém.

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  3. Como disse o Luca: apaixonante.
    "A natureza desencaminhada de ser ninguém..."

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