quinta-feira, 21 de outubro de 2010

A Inocência do Romantismo

Uma vez que tenhas andado pelo vale sombrio
Experimentado o sofrimento, o escuro e o frio.
Jamais poderás compadecer da tua triste figura
Pois habitaste na razão, na realidade fática e pura.

Mas se tiveres provado um instante de alegria
Experimentado o calor do abraço em noite fria
Desejarás profunda e verdadeiramente o abismo
Morrerás e levarás contigo a inocência do romantismo

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Filho do Homem

Reminiscência de um tempo futuro
Daquilo que foi e ainda está por vir...
Do Sol, a face d’um absoluto escuro
Por estes versos, Deus pensou existir

Pensou profunda e intrinsecamente
Do alto de sua infinita inconsciência
Ser de todo o universo e consciência
O futuro, o passado e o presente...

... Um soneto inacabado, subcultura...
 Fruto da mente humana, a criatura
Da sua própria essência, obra-prima...
                                                         (Rafael de Oliveira)

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Eu Ninguém

Ninguém mata sem ter motivo
Ninguém se autodestrói por prazer
Ninguém vive apenas por estar vivo
Ninguém ao menos sabe o que é viver

Ninguém anseia por algo que não conhece
Ninguém contra-ataca, ninguém vai além
Ninguém vê aquilo que de fato acontece
Ninguém conhece a face má que há no bem

E se a ninguém é atribuído tais absurdos
E se a ninguém é entoado o hino dos surdos
Devo maldizer o dia em que me fizeram alguém

É meu dever admitir sem mais demora
O que dentro de mim a muito desflora:
A natureza desencaminhada de ser ninguém...
                                                      (Rafael de Oliveira)