segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Roleta Russa

Sois, dentre todos, o mais eloqüente.
- Daqueles que me perfazem como ser
Veste-me, a cada trago, como vivente
Para no derradeiro dia, ver-me morrer.

Sinto em meus lábios teu doce ardor
Enxergo em tuas chamas a sinceridade
E por mais que me preencha o teu calor
Não me permitirás viver a flor da idade

Somos dois e um – pulsando a cada cigarro
Percebo, sem alarme, neste ou noutro pigarro.
“O que me faz viver, já me consome a existência.”

E se Deus me presenteou com a estrada
Se consigo hoje manter-me na caminhada
Agradeço com fervor. Não a Ele, mas à ciência.
                                                         (Rafael de Oliveira)

2 comentários:

  1. Que a brasa do meu cigarro, ardente, perfure meu coração em derradeira hora.

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  2. Retrata o drama do fumante a cada trago fatídico. Perfeita rima, imagem e corpo. Iratos!

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