sábado, 4 de setembro de 2010

Poema XXII

Debruçado diante deste papiro
Desprovido de inspiração alguma
Relutante entre a corda e o tiro
Escrevo o que me vêm, em suma

Introspectivamente, o escuro.
Qual de nós deve permanecer?!
Encontro-me em cima do muro
E minhas mãos negam-se a escrever

Talvez eu seja um suicida
Ou um simples esquizofrênico.
Por não valorizar em nada a vida
Certamente me julgarás oligofrênico

Engrenagem de uma triste civilização
Onde não é permitido se sobressair
Somos números de uma infinita equação
De simples somar, multiplicar e subtrair

Reduzidos a mais exata das matérias
Vivemos uma realidade matemática
Onde até o pulsar de nossas artérias
Não passa de movimentação estática...

Acreditamos na inalcançável felicidade
Enfeitiçados pelo seu conceito abstrato.
E ao constatá-la como fruto da insanidade
É que nos entregamos à depressão de fato.
                                                 (Rafael de Oliveira)

Um comentário:

  1. Avalie se houve inspiração!?
    Talvez, a sua inspiração seja a falta dela.

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