sábado, 4 de setembro de 2010

Personificação do Hedonismo

Ainda que os teus olhos não reflitam a farsa
Como se não fosse suficiente à fama esparsa
Revela-se pelos lábios tintos e o joelho calejado
Que com quantos pudera deitar, já havia se deitado.

És rainha do desejo, suntuosa princesa do orgasmo.
Fizeste da cama o teu lar, da taberna teu castelo.
És da própria vida – O chinelo, a gravata e o martelo.
De orgasmo em orgasmo. De espasmo em espasmo...
[...]

Permitiu que eu a penetrasse por quase toda noite
Quando não lhe mantinha ocupada, a boca, clamava pelo açoite.
Tão lasciva era a cortesã, que já se conformara com o abismo.

- Escolhestes os meus braços, impreterivelmente.
Para que enfim morresse assim tão de repente
Verdadeiro amor da minha vida, mártir do hedonismo.
                                                                 (Rafael de Oliveira)

Um comentário:

  1. Lindíssimo! Profundas e inspiradas palavras!
    Beijos poéticos na alma!

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