sábado, 4 de setembro de 2010

Espelho

Diante de um vidro espelhado
Encaro minha assimétrica figura
Quadro grosseiro, mal emoldurado
Fruto de Deus em sua desventura

Aquele rosto tão esquelético
Que outrora me pertencia
Fitava os meus olhos, cético
E cinicamente sorria

Caí prostrado em pranto.
O espelho teimou em refletir
Para meu maior espanto
Que eu não parava de sorrir

Senti naquele breve instante
Que me fora tomada a sanidade
Era mais um demônio de Dante
Desprovido de minha própria identidade.

Tentei quebrar o espelho, desesperado
Provoquei destarte, meu próprio fim
Pois ao ver meu outro eu despedaçado
Fiquei partido em milhares de mim...
                                          (Rafael de Oliveira)

2 comentários:

  1. ahahahahahahahahahaha gargalhadas... ler você me dá uma felicidade fora do comum... isso não é nada normal!!?? Fico louca querendo te bater, te morder, arrancar um pedaço seu para mim e deixar em mim para sempre. Abençoado seja, seu maldito!

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  2. rafa gostei dessa...
    acho que todos nós,nos pegamos refletindo assim no espelho!
    beijao!

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