sábado, 4 de setembro de 2010

Cativeiro

Passo semanas a me procurar
Em cada esquina do meu consciente
Espero poder um dia me encontrar.
- Sinto-me solitário, trêmulo, doente -

Os morcegos augustinianos me rodeiam
Já não consigo mais sequer dormir
Os lençóis, brancos, me chicoteiam
E meu travesseiro tenta me engolir

Um pobre homem endemoninhado
Fruto da mais católica criação
Sou mais um cordeiro devastado
Trancafiado em um quarto de porão

Outrora livre, jovem e imperativo
Subsisto mórbido em um hospício
Agora velho, cansado e cativo
Acusado de loucura ou qualquer vício

Já não recordo dos meus entes queridos
Minha mãe há muito não me escreve.
Penso nos anos a fio aqui perdidos.
E a Deus, caso exista, imploro que me leve...
                                                       (Rafael de Oliveira)

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