sexta-feira, 23 de setembro de 2016

DEUS NOVA

De novo o sentimento, de novo a palavra
Das rimas meninas que trago no peito
Dos sinos destinos que jazem no leito
De novo rebento, de novo a lavra

De novo separado, de novo terreno
Das ervas daninhas que rasgam o silêncio infecundo
Dos versos mesquinhos que aprisionam o mundo
De novo indivíduo, não mais pleno

Não mais insubstância, não mais o vazio
Outra vez a fome, outra vez o frio
De volta ao invólucro substantivo

Do frio na espinha; do olhar embaçado
Às pontas dos dedos que tocam o teclado
E desnudam na tela a chaga de estar vivo.

sexta-feira, 22 de março de 2013

Em...

Sangrando tinta sobre uma folha em branco
Procuro trazer das entranhas do tempo
Aquilo que a vida em algum momento
Por capricho nos fez esquecer...
 
Trazidas por ventos monocromáticos de outono
As notas da musica que não soube compor
Os lamentos que tingem de cinza os sonhos
Olhares inteligíveis de sinestésica dor
 
Em meio a esse teatro enfadonho
Essa névoa de feição risonha e sem cor
Encarcerado no olhar d’um menino tristonho
Onde apenas a escuridão conhece o amor
 
Correndo nos sonhos de uma mítica criança
A faca encravada no sol da esperança
A única palavra que nos leva a viver...
 
Em meio a escombros imaginários transito
Em meio a lugares que nem mesmo são.
Leve como a brisa da felicidade
A mesma leveza que a solidão carrega
O eterno pesar de saber que está só...
 
Casca de matéria morta, habito.
Da própria vida; sou o pão.
Leve como a brisa da verdade
A mesma leveza de quando enxerga
Que acima de tudo, não passa de pó!
                                                       (                      )
 

terça-feira, 5 de março de 2013

Outono

           Quando uma folha retorna ao calor da terra

 

.
.
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...

Um abraço mudo;

Sorriso nos olhos;

Lágrimas na boca.
                         (                      )

 


 
 

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

O Pianista

Amparado piano melancólico
Que fizeste por merecer tamanha tristeza divina
Sentiste o frio que cortou junto à campina?

Sob o véu da verdade existe o "si" sustenido
Em adágio...

Presságio.
Em ventos longínquos de amanhãs adormecidos.
Sofridos.
Os tempos que enlaçam a morte à criança.
Esperança.
A única que assistirá ao fim da existcência.
Inocência.
Daqueles que se permitem iludir...

Almas solitárias em sincronias...

O Caos que desenvolve-se no ventre da Harmonia
Como música sentida e ouvida...
Um silêncio cinza que ronda os meus olhos...

Na quietude enaltecida pelo vinho dos afagos
Desta dança sinuosa de esquadros
Sinergia apática de existir

Essa inquietude vívida da inexistência
Desprovida de significância
Essa ânsia!
Eufórica apaziguadora de si
Que tocava as nuvens na profecia que vi
Enquanto dançava a inaudível dança
Sob a melancólica sinfonia do piano

Vertendo lágrimas desesperadas ao sorrir...
                                      (Rafael de Oliveira e Vitor Mendes Dias)

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Reflexos Chocados


Derradeiras? Mesmo com estes frutos tão interessantes?
Mundo em ladeiras? Tinha de ser assim tão... Alucinantes?!
Certamente que sim senhor, não queira que o seu mundo seja como o meu.
Sinto muito, me avisaste tarde demais... Já não distingo meu mundo do seu...

Digamos, por exemplo, que todo este transtorno foi devido às alegorias.
Não às cavernas do pseudoconsciente, mas àquilo em que consistem...
Consistências... Texturas... Cores... Somente exclamo!

O que fizeste no instante em que cores e formas já se fundiam?
Simplesmente observei todo este diorama digno de uma ópera.
Perdoa-me novamente, minhas lágrimas caem ao ver os ratos na mesma direção...
Simplórios vetores que ousam pensar obter de fato alguma espécie suja de sabedoria!

Enquanto às rimas?! Sumiram?! Ainda posso sentir o fardo da poesia...
Ah... O fardo é algo inevitável, acredito. Talvez faça parte deste sistema...
Apenas para a corja de pensadores que se livraram das vendas!
Lembro-me do momento em que as vendas se foram e o ar ficou mais quente.
Haverão tardes ainda mais longas?! Eternas tardes de maio...
Desejo muito que sim, o futuro já fugiu da minha vista e o passado me abomina.

Reflexos chocados... O futuro se revela ao presente! Sonhei com o universo - Ele sorria...
                                                                                   (Rafael de Oliveira e Vitor Dias)

Limbo Cibernético


O homem, incapaz de autoconfrontar-se
Temendo encontrar-se consigo mesmo
Inventa máscaras vãs para socializar-se
Caminha errante e sem verdade - a esmo.

Cativo em uma realidade paralela
Aliena-se, inerte, no mundo virtual
Abdica ao horizonte em prol da tela
Abstém-se de si e do mundo natural...

Arquiteta para si uma nova personalidade
Faz-se sábio, humilde, politizado e fraterno.
Amante da natureza, do outro, da diversidade.
Faz-se conhecedor, compreensível e terno...

Na desmaterialização da sua significância
Acaba - por inocência ou ignorância -
Soterrado pela vaidade - Eterno porvir -

Condenado a vagar no limbo cibernético
Respondendo ao mais vil anseio frenético
De não sentir-se sozinho para se sobressair...
                                                          (Rafael de Oliveira)

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Admirável Mundo Novo

Na copa do mais alto carvalho
Onde todo o universo refletia
Em um pequeno globo reluzia
Estilhaços do mundo, gota de orvalho.
                    
O mar, aos olhos da Lua, adormecia.
Recompondo partículas mórbidas, frias.
De um inconsciente há muito esquecido

E na inquietude sólida, prostram-se, divinas
As odaliscas andróides do novo mundo.
- Carneiros sangrando corruptos valores -
Vomitando oferendas ao seu Cristo moribundo.
                                                (Por Rafael de Oliveira e Vitor Dias)
                                                    27 de setembro de 2010